terça-feira, 4 de agosto de 2009

Estou no Clube dos Autores!

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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Apresentando: Valery, da Vinci e... nós.

Uma obra de arte deveria sempre nos ensinar que não
tínhamos visto o que vemos.
Paul Valery

Dizem as boas maneiras que as apresentações são
absolutamente necessárias, portanto comecemos por elas:

- Paul Ambroise Valery, poeta francês, filósofo e
crítico. Nascido em 30 de outubro de 1871 e morto em
20 de julho de 1945. A convite de Leon Daudet,
escreve um estudo sobre Leonardo da Vinci, publicado
pela Nouvelle Revue em agosto de 1985 – ponto de
partida deste trabalho. Além dos livros de poemas,
publicou vários ensaios críticos. Em 1925 é eleito para
a Academia Francesa.
- Leonardo da Vinci, físico, geólogo, arquiteto,
anatomista, mecânico, botânico, cientista, escultor e
pintor. Nascido em 15 de abril de 1452, na região da
Toscana, na cidade de Vinci. Morto no dia 02 de maio
de 1519. Usava cabelos e barbas compridas, calças
justas de veludo carmim. Tinha sobrancelhas
cerradas. Diz a lenda que ao pintar a Mona Lisa
queria uma expressão feliz em seu rosto e para tal
colocou músicos e palhaços para alegrar a modelo. O
nome dado à retratada é sugestivo: Gioconda, que
significa a alegre.
- Nós, educadores, mais do que isso somos artistas e
cientistas. Tanto no sentido literal quanto no sentido
figurado. Além disso, estamos mergulhados num quê
de surrealismo. Dê-se a palavra a André Breton para
colocar com clareza o significado: “(...) automatismo
psíquico puro, por meio do qual se propõe a
expressão, seja verbalmente ou por escrito, do
funcionamento real do pensamento. Ditado pelo
pensar, na ausência de qualquer controle exercido
pela razão e fora de qualquer preocupação estética e
moral”. Basta ver a situação dos educadores, no
sentido amplo, para não se estranhar tal
classificação...
Situados os personagens, esboçado o cenário, vamos
ao drama.
Das ciências às artes e à educação, o traçado é o
mesmo. Se para o artista, como para o cientista e,
também, para o educador, “deve-se perder dois terços
de seu tempo em tentar ver o que é visível, e sobretudo
em tentar não ver o que é invisível”, está posta uma
situação reconhecível – como ausente. Os
lugares-comuns, os belos lugares, o que parece
evidente, o conforto dos sistemas definidos,
supostamente acessíveis e facilitadores – tornam-se,
com muita freqüência, clausuras impenetráveis, ou
seja, ilusão de percepção e eficiência, porém, na
realidade, casamatas de cegueira. Quando Valery
reflete sobre a lógica imaginativa de Leonardo Da
Vinci, refere-se “ `aquela atitude central” que orienta o
percurso. Acrescente-se: tanto do artista quanto do
cientista e do educador. Segundo afirma: “Sentia que
esse senhor de seus meios, esse possuidor do
desenho, das imagens, do cálculo, havia encontrado a
atitude central a partir da qual as empresas do
conhecimento e as operações da arte são igualmente
possíveis; a troca feliz entre a análise e os atos,
singularmente prováveis: pensamento
maravilhosamente excitante”.
Assim, a lógica imaginativa, relacional, analógica, é
capaz de abrir frestas por onde passa luz, onde é
possível perceber que o nível das águas tranqüilas é
horizontal, que o mar está de pé no fundo da vista.
Usar o termo azul-marinho, não é por acaso – sabe-o
bem quem já mergulhou em alto mar e ficou sem
“fôlego” ao deparar com as profundezas do oceano,
que sempre esteve ali, visível...
A educação profunda consiste em desfazer-se da
educação primeira. A interpretação é de que o passar
dos anos e a crescente perda da capacidade de se
admirar levam as pessoas a tomarem conhecimento
mais com o intelecto e menos com os olhos. “Em vez
de espaços coloridos, tomam conhecimento de
conceitos”. Na reflexão de Valery, a escolha do
sentido da visão é por considerá-lo o mais espiritual
dos sentidos, porque nele se situa a maioria das
faculdades analógicas.
A mudança de enfoque no acesso ao conhecimento,
referida acima, traz prejuízos muitas vezes
irrecuperáveis. A coragem “de ver com os olhos” (com
as mãos, com o olfato, com a audição), vai-se diluindo
ao longo de anos de desestímulo encontrado na
educação formal. A possibilidade de continuar a
exercer a curiosidade, a ousadia imaginativa, a
descoberta de coisas e fatos desconhecidos, fica
restrita aos primeiros anos pré-escolares.

Um incalculável desperdício! Essa ruptura criminosa,
que até já nos acostumamos a identificar, deveria ser
enfrentada com determinação criativa, considerando-se
como um serio problema que, encastelado no senso
comum, segue incólume aniquilando o
desenvolvimento de pessoas capazes de se tornarem
completas no uso de suas habilidades.
O cientista, o humorista, o artista, enquanto procuram
a imparcialidade, a analogia cômica com um toque de
agressividade, a imagem poética que é complacente,
ilustram um padrão de atividade criativa, com climas
emocionais diversos, mas que estão a serviço do
humor, da descoberta ou da arte. (...) não existem
fronteiras onde o domínio da ciência termina e o da
arte se inicia, e o uomo universale da Renascença foi
um cidadão de ambas(Koestler, 1967, p.28). O
continuum de uma categoria à outra, segundo o
autor, reforça a consideração de que entre elas
(humor, descoberta e arte) existe um movimento sem
divisões rígidas.
As reflexões de Boaventura Santos apontam a mesma
direção. Citando cientistas e filósofos da Ciência, de
Poincaré a Kuhn, de Polanyi a Popper, ele afirma o
reconhecimento da dimensão estética da ciência,
exemplificada pelo sistema de Newton, visto tanto
como obra de arte como uma obra de ciência. “A
criação científica no paradigma emergente assume-se
como próxima da criação literária ou artística, porque à
semelhança destas pretende que a dimensão ativa da
transformação do real (o escultor a trabalhar a pedra)
seja subordinada à contemplação do resultado(a obra
de arte)” (1991p. 54).
Entretanto, as divisões rígidas, herança de um
paradigma cartesiano, estão presentes e atuantes no
cotidiano da educação – da fundamental à superior –
até hoje.
Leonardo é um bom exemplo de independência a
elementos rígidos de conduta e à imposições
externas. Sua capacidade de vincular fantasia com
realidade, de ampliar seu campo de busca e do saber
em várias direções, o torna um perfeito representante
da Renascença e um exemplo indiscutível do que o
Homem é capaz. A Renascença, inspirada pela
corrente humanista – com ênfase na dignidade moral
inata e no potencial intelectual e criador do Homem -,
modelou o conceito do uomo universale: com saber
universal e capacidade intelectual e física inteirada.
Aquela época da história tem como fator fundamental,
em geral e para a arte em particular, a “descoberta” do
mundo e do homem. A obra de arte se torna um
estudo da natureza.
A pintura foi um meio para Leonardo tornar sensíveis
as especulações científicas de sua mente. Com
o“naturalismo” assume um caráter científico, metódico
e rigoroso. Tal atitude de Leonardo leva-o a considerar
o homem o mais nobre elemento da natureza, como
também, um elemento que se indica como fato
psicológico. Suas descobertas mais importantes o
apontam como uma presença histórica clara, um
homem de seu tempo.
Veja-se: no desenho, Leonardo foi um dos que
restabeleceu um sistema de regras para compor a
figura humana - um cânone, que indica proporções
ideais para o corpo humano; na pintura, a fusão
pictórica da natureza luminosa com a natureza
espiritual – o sfumato, perda das cores na sombra,
como meio expressivo do espaço e do movimento,
característica do claro-escuro.
Ainda sobre as qualidades de da Vinci, ele próprio as
expõe numa carta a Ludovico Sforza, seu mecenas, na
qual lista em dez pontos suas habilidades de
desenhista, inventor de máquinas de guerra, de pontes
móveis, de túneis, de armas navais, de veículos
blindados, etc. No final da carta, acrescenta: Posso
também, esculpir em mármore, bronze ou argila, como
também posso fazer pinturas de qualquer coisa que for
preciso.(in, HOHENSTATT).
O excepcional poder de observação e o prazer da
experimentação fazem de Leonardo a mais pura
expressão de sua própria representação do uomo
universale. Portanto, da Vinci serve de bom argumento
para que nós, também educadores/artistas, nunca nos
esqueçamos de estimular esses comportamentos na
nossa ação pedagógica.
Nas considerações acima, percebe-se na lógica
imaginativa seu processo relacional em
continuum reforçado pelas inevitáveis correlações entre
vários elementos:a imparcialidade e o envolvimento; a
agressividade e a complacência; as expressões de
sentimentos corpóreos e não corpóreos; a fantasia e a
realidade; a emoção e a razão inauguram um estado
inicial nebuloso, que se clareia a medida do fazer,
ancorado naquela atitude central - reconhecida por
Valery em da Vinci - na existência de um princípio
organizador de toda massa de elementos perceptíveis
existentes no meio ao qual o indivíduo pertence.
Dessa forma, um processo interrogativo frente ao
conhecimento em movimento é o que se espera que
os cientistas, os artistas, os educadores assumam no
seu fazer.
O conhecimento é uma reconstrução, uma tradução
feita a partir de um indivíduo inserido numa cultura e
numa época determinadas. Entretanto, esse fato não
nos dá o direito de ignorar sua singularidade e os
estímulos desafiantes às suas capacidades inerentes.
Temos todos um pouco de cada uma das
características citadas: os educadores são um pouco
artistas e vice-versa. Alguns são mais cientistas do
que educadores e outros mais artistas do que
educadores. É bem verdade que precisamos tanto do
educador que “conserva” vitalmente o que é necessário
na salvaguarda ou preservação da cultura, como
precisamos do educador “gerador” de estímulos à
criação de novas idéias e novos caminhos. O que não
precisamos é do educador “estéril”, dogmático, que
assume um percurso cristalizado e rígido.
Se tudo fosse irregular ou regular, não haveria
pensamento, porque ele nada mais é que uma
tentativa de passar da desordem à ordem e tem
necessidade de oportunidades daquela – e de modelos
desta.


Referências Bibliográficas
- HAUSER, Arnold, História Social da Arte e da
Literatura, Martins Fontes, São Paulo, 1995.
- HOHENSTATT, Peter, Leonardo da Vinci,
Konemann, Koln, Germany, 1998.
- KOESTLER, Arthur, The Act of Creation, New York,
The Macmillian Company,1964.
- SORMANI, Giuseppe, Dizionario delle Arti, Istituto
Geográfico de Agostini, Novara, Itália, 1963.
- SOUZA SANTOS, Boaventura, Um discurso sobre as
ciências, Edições Afrontamento, Porto, Portugal,
1991.
- STAMATO DE CAMILLIS, M.L., Criação e Docência
em Arte, Tese de Doutorado (xerox). São Paulo, PUC,
1997.
- VALERY, Paul, Introdução ao método de Leonardo
da Vinci, Ed. Bilíngüe-São Paulo:Ed.34,1998.
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(*) inter alia : "entre outras coisas"
(revista de arte e idéias)
www.interalia.cjb.net
editor: Marcelo Guimarães Lima
email: inter-alia@lycos.com
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sábado, 10 de janeiro de 2009

Talentos...

Talentos Múltiplos: como lidar com isso?
LSDC
O assunto surgido de uma conversa entre duas mulheres/mães - irmãs de alma e de afeto - gerou alguns pensamentos que quero compartilhar com quem por ventura se reconhecer nessa situação.
É comum lembrarmos de alguém possuidor de muitas habilidades: toca algum instrumento; é atleta; cria comidinhas fantásticas; desenha; pinta; tira fotos lindas; conta estórias como ninguém, etc. São pessoas que fazem muitas coisas facilmente e por isso não dão muito valor a essas qualidades.
Pais e mães de filhos com esse perfil – multitalentoso –basicamente têm duas percepções: que bom, ele (a) tem muitos talentos, poderá fazer muitas coisas! , ou: será difícil encontrar seu próprio foco de independência na vida!
Como extensões da primeira percepção, logo vêem que é muito fácil as pessoas se perderem entre tantas possibilidades: todas são prazerosas e fluentes. Com o tempo, é quase impossível abrir mão de algumas delas.
Daí chegar à segunda percepção é um passo. Nossos filhos talentosos, ao alcançar a maturidade (e me pergunto que idade será essa, hoje?) não têm clareza de como cuidar de sua vida!
Essa situação é mais comum do que se pensa.


O que fazer para exercer nosso papel de pais presentes?
Não temos respostas para isso, somente tentativas e às vezes em vão!
Só sabemos que “a vida nos é dada, porém, somos nós que a criamos!”Essa verdade chega com a experiência. E experiência de vida não se transfere.
Não quero levantar razões ou culpas para situações mais dramáticas.
Penso que é razoável e necessário um esforço, contínuo, para auxiliar nossos
talentosos a enxergar sua realidade e suas opções de fato.

Mas, como fazer isso???


Uma história para se pensar: AS FADAS MADRINHAS
Era uma vez um reino muito antigo, que esperava com ansiedade o nascimento de seu príncipe. Logo que ele nasceu os reis organizaram uma grandiosa festa, com todos os súditos convidados. E claro, não podiam faltar as 12 fadas madrinhas. Ao chegar, cada uma delas dava ao príncipe uma qualidade: beleza; ousadia; compreensão; delicadeza; inteligência etc.
A décima terceira fada ao saber da festa, lá apareceu e de pirraça por não ter sido convidada dirigiu-se aos reis e disse: para vocês me respeitarem, agora ,vou dar a mais importante qualidade que um príncipe deve ter:
Muitos Talentos...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Uma pata amarela mais um poema para ser cantado com suas crianças...

PATAMARELA
LSDC

Patamarela
Patamarela
Eu gosto dela!

Folha branca
Lápis de cor
Uma idéia na cabeça
Que calor!

Um risco que sobe
Outro que desce
Até parece magia
Que alegria!

Patamarela
Patamarela
Eu gosto dela!

Na folha branca
Majestosa pata surgiu
Você viu!
É ela, é ela!

Patamarela
Patamarela
Eu gosto muito dela
!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Terceira estorinha para suas crianças...

OS SINOS FALAM...
LSDC
Quando criança, aquela menininha ouvia sempre os sinos da igreja, mesmo não dando muita atenção. Eles tocavam durante todo o dia, marcando a hora e a meia hora.
Existiam, também, os sinos de domingo, que chamavam as pessoas para a missa e, também, os sinos que choravam quando alguém morria...
Nos dias religiosos, importantes - Natal, Páscoa - eles ficavam dançando contentes, convidando para a festa. Era tão bom descobrir o que eles queriam dizer!
Entretanto, com o tempo, os sinos foram ficando quietos e desaparecendo. Agora é muito mais difícil ouvi-los. Existem poucos.
Um dia, porém, essa menina descobriu que havia um lugar, nesse mundo, onde os sinos estão todos vivos. É um lugar com muitas igrejas bonitas, grandes, cheirando a incenso e a vela. Lugares de teto bem, bem alto. Para ver as pinturas lá em cima, temos que virar a cabeça toda para trás e ficar de boca aberta!
Nesse lugar que ela descobriu podem-se ouvir os sinos nos chamarem a qualquer hora. Para nossa menininha que antes morava na frente daquela igreja, estar nesse lugar de sinos vivos, é como reencontrar amigos queridos.
Na realidade, esses amigos estão sempre presentes na sua memória e quando escuta suas badaladas, novamente, tem uma doce sensação de reencontro e de felicidade...





"Permitam lembrar que o percebido não pode perceber" Huang Po

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Segunda estorinha para suas crianças...

SEIS BICHINHOS DIFERENTES NUMA CASA SÓ[1]
LSDC
Luiza tem seis bichinhos em casa e um bicho grande longe de casa. Ela gosta muito de todos e brinca sempre com eles – com cada um é brincar de jeito próprio. Por exemplo, pegar no colo, só alguns. Montar em cima, menos ainda. Assobiar é para todos, principalmente para aquele que não pode se tocar, nem pegar no colo. Todos diferentes, mas igualmente, malandrinhos.
Lili defende a Frida dos ataques do Bom Bini. Este, por sua vez, se recupera de um derrame fazendo força para enfrentar Juju e Lili.
O cenourinha a tudo assiste confortavelmente lá de cima, no seu canto. É verdade que passou um tempo bem estressado quando aquele visitante resolveu ficar uma temporada no pedaço. Ao visitante não foi dado nenhum nome. Era simplesmente o gato, que como todo bichano gosta de caçar passarinhos. Dava sua dormidinha ao sol, ao lado da Frida – que de pintinho amarelinho virou uma grande galinha. Foi crescendo, crescendo e acabou com quase todo o jardim. É bom acrescentar que esse regime não lhe fez nada bem. Ficou magra, magra e de fraca quase não andava. Ainda bem que, alguém da casa providenciou uma comidinha própria e mais forte para ela. Além de uma cama, ou seja, um poleiro. Do poleiro ela não quis saber, mas a quirela-milho moído-, lhe fez um bem enorme.
Enquanto o gato tomava seu leite e a Frida engolia seus milhinhos, Juju, Lili e Bom Bini brigavam pela sua ração. O cenourinha de sua gaiola observava a situação, deliciando-se com sua alfacinha.
Luiza que gosta de todos igualmente, também tem o Perna Alegre. Pelo seu enorme tamanho, não pode ficar em companhia da Frida, do Gato, do Cenourinha, da Juju, da Lili e do Bom Bini. Ele mora num lugar mais longe e maior. De vez em quando, Luiza dá para seu amigo grandão, uma cenoura – não o cenourinha, é claro-, mas o legume.
Assim, ela vai aprendendo a cuidar de seus bichinhos, pois um dia quer ser veterinária. Por enquanto, ela sabe que a galinha gosta de quirela, o gato de leite, o canário de alpiste e alface, os cachorros de ração com gosto de carne e a Perna Alegre de alfafa, aveia e... cenoura. Além disso, sabe também que todos seus amigos bichos são muito diferentes uns dos outros. Cada um deles tem um jeito de brincar com ela, além de ter tamanhos diferentes, vozes diferentes, cores variadas, cheiros, pelos, penas, penugens, duas patas, 4 patas, asas, bicos, focinhos...UFA!
Todos bem diferentes entre si, porém, igualmente amados por ela.

[1] Essa é uma história verdadeira. Luiza e seus bichos existem. O título foi sugerido por ela.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Uma estorinha para agradar suas crianças...

MINHA AVÓ FELICIA...

Você sabe que existem vários tipos de avós, não é? Algumas têm um sorriso gostoso, sempre que te vê. Outras, um pouco bravas, mal te olham. Outras, ainda, te agarram e ficam te beijando sem parar.

Eu tinha duas avós muiiito diferentes: a mãe da minha mãe era séria e nunca brincou comigo. Em compensação, agradava os netos com as suas quitandas. Você sabe o que é isso? É o nome que se dá aos biscoitinhos e bolinhos, variados, feitos antigamente no interior. Minha avó Isaura nasceu em Minas Gerais e lá aprendeu a fazer quitandas maravilhosas.

A mãe de meu pai era muito divertida e não é a toa que se chamava Felicia. Esse nome significa felicidade e era o jeito da minha avó. Ela fazia algumas travessuras que ninguém tem coragem de fazer até hoje. E isso faz muito tempo!
Uma vez ela estava almoçando, com a família toda, e se aborreceu por algum motivo, não sabemos qual. Adivinha o que ela fez para mostrar que estava aborrecida de verdade? Esfregou o prato de macarrão no próprio rosto! Imagine a reação das pessoas. Depois do susto começaram a rir! Ela acompanhou a risada deles e todos se sentiram mais felizes...

Uma outra arte dela foi fora de casa.
Existe no Rio de Janeiro uma confeitaria, muito antiga e muito bonita, chamada Confeitaria Colombo, que tem todas as paredes forradas com espelhos.
Um dia, Felicia lá estava com seu vestido vermelho, bem feliz vendo uma imagem refletida várias vezes e pensando que havia alguém com um vestido igualsinho ao dela e, além disso, parecidíssima com ela!


Distraída com isso, ela percebeu que algo estava escorregando pelas suas pernas. Sabe o que era?! A sua ceroula! Naquele tempo, não existiam calcinhas justas para mulheres e sim calções largos. Como ela era bem gordinha usava ceroulas, um tipo de cueca bem grande.
Pois o elástico havia arrebentado e a enorme calça estava no chão!
Você pensa que ela se aborreceu? Que nada! Chutou a ceroula abaixou-se e colocou-a na bolsa. Continuou andando como se nada tivesse acontecido e sentou-se à mesa para tomar seu chá e comer suas guloseimas, bem feliz!

Hoje, que sou avó, e não sou Felicia, às vezes fico pensando que as avós são todas iguais e também diferentes. Explico: diferentes porque cada pessoa é de um jeito – mais moças, mais velhas, gordinhas, magrinhas, altas, baixas, brincalhonas, sérias, companheiras, ocupadíssimas... Mas elas todas são iguais, sabe no que? No amor e no carinho que têm pelos netos, filhos de suas filhas e filhos de seus filhos...
E suas avós, são também assim?